A VIA LÁCTEA


Depois de Tônica Dominante (2000), Lina Chamie retornou com esse filme de amor sensível e delicado, que conta a história de um casal que está se separando, ele (Marco Ricca) é escritor, ela (Alice Braga) é atriz de teatro. Os dois se conhecem e se apaixonam durante uma montagem da peça “As bacantes” de José Celso Martinez Correia, mas depois de um tempo, a convivência e as diferenças parecem falar mais alto. O fim do romance acontece por telefone, mas como ele não se conforma, enfrenta um engarrafamento para ir até a casa dela tentar a reconciliação. Durante essa viagem, que dura o filme todo, são recitados poemas de Carlos Drummond de Andrade e Mário Chamie, pai da diretora, ao som de música clássica e a música “Estrela” de Gilberto Gil.

O maior arrependimento dele foi ter falado palavras que não devia, como demonstrar ciúmes por um colega dela, Thiago (Fernando Alves Pinto, que protagonizou Tônica dominante, o filme anteior de Lina). O filme faz muitas viagens no tempo enquanto ele está no trânsito, são intercaladas cenas de quando os dois se conheceram, a briga, as lembranças da mãe (Mariana Lima) e um acidente de trânsito que só será desvendado ao final.


“A via láctea” é um filme diferente do que estamos acostumados a ver, mas contado de uma forma tão bonita e especial, que não há como não se emocionar e se envolver com a história desse casal que ainda se ama, mas enfrenta empecilhos em sua relação. O elenco é bastante reduzido, além de Marco Ricca e Alice Braga, Fernando Alves Pinto aparece como o pivô da briga e Mariana Lima em uma única cena. Apesar do elenco pequeno e de algumas cenas contemplativas, em nenhum momento o filme é chato ou cansativo. Com certeza, um dos mais belos filmes de amor que assisti nos últimos tempos.


Direção: Lina Chamie. Com: Marco Ricca, Alice Braga, Fernando Alves Pinto, Mariana Lima. 89 min.

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